Apesar da crise, setor de bebidas termina 2009 com crescimento
05/02/10
O crescimento da produção de sucos e refrigerantes em 2009 confirma o bom desempenho do setor de bebidas, destaque da produção industrial do ano passado medida esta semana pelo IBGE. Segundo o instituto, a produção de bebidas cresceu 7,1%, um dos quatro únicos segmentos que tiveram expansão no ano do tombo histórico da indústria de - 7,4%. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir) indicam que, imune à crise, a produção desse segmento cresceu 5,1%, atingindo 37,104 bilhões de litros.
O faturamento subiu 6,37%, somando R$ 22,28 bilhões. Segundo o diretor executivo da Abir, Paulo Mozart, o resultado ficou bem acima das expectativas dos fabricantes no início do ano passado, que era de crescimento zero na visão mais otimista. Para ele, o avanço em meio à crise se deve à manutenção da ascensão das camadas populares. "O Brasil aumentou renda mesmo com a crise. Houve migração da classe D para a C, que definitivamente se incorporou ao mercado de consumo. São 31% dos consumidores, que influenciam principalmente o mercado de bens mais acessíveis", observou. A avaliação é parecida com a da economista Isabella Nunes, coordenadora da pesquisa de produção industrial do IBGE. Segundo ela, a manutenção do nível do poder de compra explica o destaque de atividades para o mercado interno em meio à retração predominante na indústria. Apenas o setores farmacêutico (+7,9), de perfumaria e limpeza (+4,7) e de equipamentos de transporte (+2,3) variaram positivamente em 2009. "São mais protegidos da crise por depender de renda e manutenção de emprego", explicou.
Só de refrigerantes, foram produzidos 14,34 bilhões de litros em 2009, incremento de 1,35% em relação a 2008. Saíram das fábricas 78 litros da bebida para cada brasileiro no ano passado. "Atravessamos bem a crise. Não significa que ninguém saiu ferido, mas para quem esperava morrer na praia, foi muito bom", ilustra Mozart. Ele cita como destaque as gigantes Coca-Cola e Ambev, que ainda não divulgaram os resultados do ano passado.
Segundo Mozart, a indústria de bebidas não alcoólicas, principalmente a de refrigerantes, investiu intensamente entre 2007 e 2008, mas suspendeu projetos com o pessimismo de 2009. Com a demanda inesperada, o parque industrial deu conta, mas as empresas já planejam R$ 4 bilhões em investimentos este ano. "Esperamos um crescimento na produção pelo menos entre 7% e 7,5% em 2010. Com o calor mais forte e a Copa do Mundo, a venda de refrigerantes pode subir até 20%", empolga-se Mozart. Segundo ele, o grande destaque do mercado de bebidas em 2009 foi a produção de sucos e energéticos, que subiu até 39% em algumas empresas. "É um setor que inovou muito, colocando no mercado muitos sabores novos, como o mix de frutas. O produto está na moda por ter uma característica saudável e tem a vantagem de ser exportável, diferentemente do refrigerante."
(JC/AE)
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