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09 de Setembro de 2010
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Indústria de chocolates aposta em ovos de Páscoa maiores este ano

22/02/10



Os consumidores vão encontrar nas prateleiras do varejo nesta Páscoa ovos de chocolates com tamanhos e preços maiores. A indústria de chocolates, após reduzir a gramatura média dos produtos no ano passado, em razão dos efeitos da crise, aposta agora no forte avanço das vendas. Já os preços no varejo devem crescer até 6%, puxados pelos reajustes dos últimos meses do açúcar e do cacau.
A franquia Cacau Show prevê um crescimento de até 20% no volume das vendas em lojas com mais de um ano de funcionamento nesta Páscoa. A rede preparou o lançamento de 14 novos produtos para oferecer aos consumidores neste ano. "Este mercado é alavancado por novidades. Os chocolates têm que estar sempre sendo remodelados", diz o gerente de marketing da empresa, Stefenson Soalheiro.
Segundo ele, a maior parte do faturamento da franquia deverá vir da venda de ovos entre 200 e 400 gramas. "No ano passado, as gramaturas de 80 a 160 gramas foram as mais vendidas", explica Soalheiro. A expectativa da empresa é chegar à Páscoa deste ano com cerca de 800 lojas, frente às 653 lojas da mesma data de 2009. Levando em consideração todas as unidades, a Cacau Show diz esperar por uma alta superior a 40% nas vendas.
A fabricante suíça de chocolates Lindt, que comercializa suas marcas de linha premium nas principais redes de supermercados do Brasil, espera um crescimento de 30% no volume das vendas. Segundo a gerente de produtos da Lindt para o Brasil, Camila Corsini, na Páscoa passada a venda de itens mais caros sofreu o impacto da crise, mas a expectativa é de reversão este ano. "A retomada ficou bem clara a partir do meio do ano passado", diz.
Sem revelar números, tanto a fabricante de chocolates Garoto quanto a Nestlé apostam na retomada das vendas.
A Nestlé ampliou em 15% seus lançamentos, com destaques para ovos com gramaturas de até 330 gramas. A empresa informou ainda estar preparando um reforço na atuação nos pontos-de-venda. Já a Garoto lançou 15 produtos exclusivamente para esta Páscoa.
Nos supermercados, a expectativa é de que os produtos com marca própria puxem as vendas. O Grupo Pão de Açúcar espera alta nas vendas destes produtos de até 30%, segundo o diretor comercial da rede, Jorge Faiçal Filho. Para as demais categorias, a expectativa é de incremento de 15%. A partir desta semana, as tradicionais parreiras de ovos passam a compor a decoração das lojas, com mais de 90 lançamentos.
Na Bauducco, que comercializa sua linha de colombas pascais, o gerente de produtos sazonais, Rodrigo Mainieri, prevê uma evolução de 15% no volume das vendas. Ele ressalta, porém, que o desempenho do Natal com alta de 25% surpreendeu a empresa e não descarta um porcentual de vendas superior ao estimado inicialmente para a Páscoa.

Preços
Mainieri destaca que o aumento nos preços de insumos como cacau e açúcar exerce uma pressão sobre os preços dos chocolates este ano, que chegam a 8%. Segundo ele, a Bauducco optou por reduzir suas margens para ganhar na escala das vendas, reajustando sua linha de produtos numa média de 6%.
Já a gerente de marketing da Hershey´s Brasil, Renata Vieira, diz que os preços do chocolate bruto, utilizados na fabricação de barras de chocolates, estão entre 5% e 10% superiores ao do ano passado. A empresa trabalha com a perspectiva de um incremento de 12% das vendas nesta Páscoa.
Nos últimos doze meses, os preços do açúcar e do cacau, cotados na Bolsa de Nova York, subiram, respectivamente, cerca de 87% e 16%. Na Cacau Show, Soalheiro prevê um reajuste de 6% nos preços dos produtos cobrados na ponta aos consumidores.
O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, diz acreditar que, mesmo com a alta nos preços, o consumo não deve ser afetado nesta Páscoa. "A indústria está lançando ovos de chocolates para todos os tipos de bolsos", diz.
Para o diretor do departamento de economia da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Denis Ribeiro, a concorrência entre as redes varejistas deverá limitar o repasse dos preços dos insumos aos consumidores.
Entre dezembro de 2008 e novembro de 2009, a Nielsen apurou um crescimento de 1,5% no volume comercializado de chocolates no Brasil, para 141,1 mil toneladas, na comparação com os doze meses anteriores. Já em termos de faturamento, a indústria avançou 8,5%, totalizando R$ 3,4 bilhões. A Nielsen calcula o desempenho anual do setor a partir do mês de dezembro.
(JC)

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