Unilever investe na alimentação fora de casa
01/03/10
Fazer refeições fora de casa está cada vez mais incorporado à rotina dos brasileiros. No ano passado, esse hábito movimentou R$ 58 bilhões e o volume deve avançar mais 10% em 2010, como acontece há uma década, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia). De acordo com um estudo da empresa de pesquisa de mercado GFK Brasil, 51% da população costuma comer fora com frequência, sendo que 23% faz suas refeições fora todos os dias, incluindo os finais de semana (isso representa a metade do que acontece nos Estados Unidos, onde mais de 50% dos gastos com alimentos são feitos na rua). O levantamento mostra, ainda, que o gasto médio semanal per capita no Brasil é de R$ 67,13 no almoço e de R$ 76,77 no jantar.
Há uma série de fatores para explicar o fenômeno. "A presença da mulher no mercado de trabalho, a urbanização acelerada do País e um ritmo de vida cada vez mais atribulado fazem com que o tempo para cozinhar em casa seja cada vez mais escasso", diz Rodrigo Vassimon, vice-presidente da divisão de alimentação fora do lar da Unilever, que faturou US$ 4,5 bilhões em 2008. "Isso leva as pessoas a procurarem alternativas fora do lar para se alimentar."
Por alternativas, entenda-se praticamente de tudo. Segundo Vassimon, o setor de alimentação fora de casa é muito pulverizado. Engloba desde o carrinho de cachorro-quente da esquina, cadeias de fast-food, bares e lanchonetes aos restaurantes de luxo, entre outros. "Essa dispersão exige um grande investimento em distribuição, que é o grande gargalo do setor", diz Vassimon.
Dos menores aos maiores estabelecimentos, dos sujinhos aos cincos estrelas, esses fornecedores de refeições são clientes potenciais para as misturas de temperos, condimentos, sobremesas e caldos vendidos pela Unilever. "Vamos investir no lançamento de mais produtos nessa área", diz Vassimon. "Nossa oferta ainda é reduzida em relação à de outros países."
Para ele, as possibilidades de negócios são praticamente inesgotáveis no Brasil. Além do aquecimento da economia, Vassimon vê com entusiasmo as possibilidades geradas pela Copa do Mundo de 2014 e pelos Jogos Olímpicos de 2016, bem como o fluxo de turistas atraídos pelos eventos. "Deveremos crescer acima dos dois dígitos pelos próximos 20 anos", afirma Vassimon.
(AE)
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