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04 de Setembro de 2010
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Consultor da OMS sugere leis para reduzir sal nos alimentos

01/06/10



Os governos de todo o mundo poderiam evitar milhões de mortes prematuras e reduzir os gastos com a saúde se adoptassem novas leis para diminuir a quantidade de sal nos alimentos, afirmou, na semana passada, um importante consultor nutricional da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Franco Cappuccio disse à Reuters que algumas medidas voluntárias das indústrias representaram progressos, mas que caberia aos legisladores alterar o paladar dos seus cidadãos, reflectindo os últimos estudos científicos sobre os malefícios do sal.
"Há uma total aceitação de que o sal é mau para nós, que o consumimos em excesso, e que deveria ser reduzido", disse Franco Cappuccio, defendendo uma "abordagem para reforçar e sustentar as medidas voluntárias."
Mas este professor de medicina cardiovascular da Universidade Warwick, onde dirige um centro de nutrição que colabora com a OMS, disse haver um poderoso lobby contrário por parte da indústria de alimentos.
Um menor consumo de sal reduz significativamente a pressão arterial, o que, por sua vez, contribui com uma menor incidência de ataques cardíacos e derrames.
A hipertensão é a maior causa mundial de mortes, fazendo 7,5 milhões de vítimas por ano no mundo.Um estudo de 2007, que analisou todas as evidências disponíveis na época, concluiu que uma redução global de 15 por cento no consumo de sal evitaria quase nove milhões de mortes até 2015.
Outro estudo, em Março deste ano, disse que uma redução de apenas 10 por cento do consumo nos Estados Unidos da América evitaria centenas de milhares de enfartes e derrames ao longo das próximas décadas, representando uma economia de 32 biliões de dólares para a saúde pública.
“O nosso organismo precisa de 1,5 gramas de sal por dia, e a OMS recomenda um consumo de até cinco gramas, mas ainda assim há excessos: o consumo médio é de 8,6 gramas por dia na Grã-Bretanha e 10 gramas nos Estados Unidos da América”, disse o consultor da agência das Nações Unidas.
"A maior parte do sal consumido no mundo ocidental – na verdade, 80 por cento dele – vem do sal acrescentado pela indústria alimentar, e apenas 20 por cento vem do sal que usamos ao cozinhar", disse Cappuccio.
"Em termos de liberdade do consumidor, efectivamente, não temos escolha. Afinal de contas, as multinacionais alimentam a maior parte do mundo.
" Em alguns casos, disse ele, a água salgada injectada nos produtos representa até 30 por cento do peso em produtos como o peito de frango. "Isso é 30 por cento de puro lucro (para os fabricantes)", afirmou o consultor.


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